29 março 2011

22:45

Ele era do tipo que sabia adivinhar toda a característica alheia. E tinha seus defeitos, que pela profunda amizade, eu aprendi a suportar. 
Nessa noite, fazendo o caminho rotineiro de meses atrás, eu me dei conta, que estava sozinha desta vez. Não sei se era cerveja que tinha subido, ou a pressão baixa do cigarro de maço vermelho ( era saudade mesmo), eu me senti muito avulsa: naquelas ruas com meia luz, os carros passando e eu ouvindo nada além do que meus próprios passos... Nem sentia mais o peso da mochila, meu desejo de chegar em casa logo e sair daquele caminho pesava absurdamente, um peso que nem todos os meus cadernos e todas as minhas apostilas juntas, jamais irão pesar.
Fazer esse caminho denovo sozinha, foi bem pior que tentar pular de um penhasco de olhos abertos. As lembraças foram me devorando e por alguns minutos eu nem lembrava mais de onde eu estava vindo. Não sabia se chorava ou ria, se era da saudade boa, das lembraças lindas ou se era solidão e a certeza do nunca mais ver.
Nessa noite, exatamente nessa noite, eu soube perfeitamente o que era sentir a morte sem morrer... sentir a morte do outro e querer desfazê-la. 
Foi bem pior que perder meu livro favorito, ou esquecer meu anel místico no banheiro de um shopping de Campo Grande ou quem sabe de perder meu chaveiro de axolote. Essas coisas agente repoem, agente acha por aí, compra, implica, sofre, implora e rouba de volta.
Destrói mesmo, é a desesperança crônica no amanhã, de querer aquilo que não se pode ter.
Saudade mata, saudade dói.. Mas de nada teria graça a vida, se não fossem os altos e baixos. Quem não arrisca não petisca, quem não sofre não ama, não aprende o que é saudade. 

A verdade é que todos os dias, são tirados de nós pessoas importantes. É triste querer o que é seu de volta e saber que você só terá isso daqui a muito tempo. Mas triste mesmo, é ser egoísta... porque ás vezes é necessário que se deixe ir, para que se possa aprender e evoluir. O que consola é que amor não muda, não morre e não desaparece, é independente de situação, de distância e de razão. Amor é amor, não depente! 
                                                      
Para Beda Henrique do Nascimento, um dos mais queridos amigos que eu tive a sorte de ganhar.  
Quando a sua hora chegou, eu tive que aprender a respeitar os anseios da alma, e as escolhas do universo.

3 comentários:

  1. Acho qe quando se escreve não somente com os dedos, e sim com a alma e mais ainda com o coração, cada palavra ganha sentido especial e único. Acho qe é essa a explicação pra esse ser um dos posts mais lindos qe vc já escreveu.

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